segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Exposição de Fotografia sobre o Porto - Idalina Perez

Dia 24 de Outubro, pelas 16h, Maria Idalina Torres Rocha Perez, licenciada em Filologia Românica, professora, portuense, amante do Porto e de poesia, apaixonada por fotografia, inaugurou a sua 2ª Exposição de Fotografia sobre o Porto.
A Exposição estará aberta ao público até dia 31, no Salão Nobre da Casa da Beira Alta.

Tal como Eugénio de Andrade escreveu:

"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos."





sábado, 17 de outubro de 2009

Um cheirinho de férias!

Época de férias , época de procurar novos lugares, uns dentro do nosso belo Portugal, outros fora, para sentir novos cheiros, novas cores, novos sons, novas imagens... Gosto de andar em movimento, mas cá dentro. Desde o Algarve à nossa Beira, tudo me encanta... Envio, com todo o carinho, um cheirinho de Loulé e outro da bela e renovada Bobadela. Um tirado junto ao restaurado Mercado Municipal de Loulé, outro do Forum e do Teatro (Circo) da Romana Bobadela. Nesta última, fui guiada por um Arqueólogo que me ajudou a ler e interpretar melhor a linguagem enigmática dessas Pedras...Isto não é mais do que um convite à Vida.
DEIXEM-NA ENTRAR, por favor.
Obrigada.
Teresa Loureiro


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sessão evocativa dos 260 anos do Nascimento da Viscondessa de Balsemão

A iniciar a sessão, a Presidente da Casa da Beira Alta, Drª Maria Fernanda Braga da Cruz, agradeceu à Câmara Municipal do Porto, na pessoa do Dr. Raúl Matos Fernandes, cuja disponibilidade e empenho permitiram que esta Evocação dos 260 anos do Nascimento da Viscondessa de Balsemão fosse realizada naquele belíssimo salão do Palacete,local onde a Viscondessa teria passado tempos da sua vida. Agradeceu ainda a presença do Director da Biblioteca Aquilino Ribeiro,de Moimentada Beira, Dr.Ricardo Castro; a disponibilidade e entusiasmo da Professora Dr.ªMaria Luísa Malato Borralho em partilhar com a assistência os seus conhecimentos;a participação e intervenção do Dr.Luís Cabral; a concepção e organização do Dr. José Valle de Figueiredo, a alma desta realização e a participação do Grupo de Coros Dramáticos da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra no Porto.
Na sua intervenção intitulada " Se as casas não tivessem memórias...", o Dr. Luis Cabral falou da História do Palacete dos Viscondes de Balsemão, edifício histórico, situado na Praça Carlos Alberto, no Porto, mandado construir no séc XVIII pelo fidalgo José Alvo Brandão.
Esta casa entra no património da família Balsemão pelo casamento de D. Maria Rosa Alvo com o seu primo Luís Máximo Alfredo Pinto de Sousa Coutinho, 2º Visconde de Balsemão.
Na década de 1840, António Bernardino Peixe alugou o palacete transferindo a Hospedaria que tinha na Rua do Bonjardim para aqui. O que celebrizou esta Hospedaria Peixe, foi a estadia do exilado rei Carlos Alberto da Sardenha, entre 19 e 27 de Abril de 1849, enquanto aguardava a preparação da Casa da Macieirinha, onde veio a falecer a 28 de Julho desse ano.
Em 1854, foi adquirido pelo 1º Visconde da Trindade, José António de Sousa Basto, grande proprietário e capitalista, que introduziu profundas alterações no edifício, vindo a casa a atingir o maior esplendor que se lhe conhece.
Ficaram para a História as recepções e festas nos salões do Palacete.
Actualmente funciona aqui a Direcção Municipal da Cultura da Câmara Municipal do Porto.
A Professora Drª Maria Luísa Malato Borralho, docente e investigadora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, falou sobre a Vida e a Obra Poética da Viscondessa de Balsemão, D. Catarina Micaela de Sousa César e Lencastre, 1ª Viscondessa de Balsemão(1749-1824).
Nascida em Guimarães, no dia 29 de Setembro de 1749, dia dedicado pela liturgia, a São Miguel, foi uma
viajante: Guimarães, Londres, Lisboa, Porto, Funchal.
Através de uma exposição clara, suscinta e cativante, a Professora Maria Luísa Borralho soube, sabiamente, atrair e conduzir a assistência por aspectos menos conhecidos da vida e obra da Viscondessa de Balsemão.

Acompanhando socialmente o marido, Luís Pinto de Sousa, a poetisa parte para Londres e aí sente necessidade de se instruir. Para isso,refugia-se em casa, estuda inglês, francês e italiano e só depois de se sentir segura, abre os seus salões à sociedade londrina.
Na sua poesia aparecem referências ao Porto, Douro e Norte. Quase toda a sua poesia é circunstancial, dita pela autora e, a maior parte das vezes, não registada por escrito. Era ouvida e, quando muito, alguém a copiava à mão.
Na contra-capa do livro "POR ACAZO HUM VIAJANTE..." A VIDA E A OBRA DE CATARINA DE LENCASTRE, 1ª VISCONDESSA DE BALSEMÃO(1749-1824) da autoria da Professora Maria Luisa Borralho, ela escreve : "Nas actuais Histórias da Literatura, poucas ou nenhumas referências existem a Catarina de lencstre, 1ª viscondessa de Balsemão. Injustamente, cremos. Louvaram-na poetas como Nicolau Tolentino, Francisco Bingre, Ribeiro dos Santos, a Marquesa de Alorna ou Bocage. Referem-na os historiadores do século XIX, reconhecendo nela os traços de um emergente Romantismo ou a invulgaridade da escrita feminina. Mas hoje não temos como ler, dispersos que se encontram os seus poemas manuscritos. E a História da Literatura precisa de documentos, de preferência impressos.
Por Acazo hum Viajante é a narração de uma viagem. Uma viagem no Tempo, planeada para resgatar do esquecimento uma autora que não devia ter sido esquecida: com mapas, roteiros, caminhos percorridos e outras linhas de indefinidas veredas..."

A finalizar a sessão, o Grupo de Coros Dramáticos da Associação dos Antigos Estudantes da Coimbra, declamou alguns poemas da Viscondessa de Balsemão, entre eles :

Cartografia

Passei dos anos a estação primeira
Livre de susto, isenta de cuidado,
O meu nome entre muitos foi levado
Sobre as asas da fama lisonjeira.

Busquei do mundo a glória verdadeira
Que pode adquirir um peito honrado,
Fugiu de mim o bafo envenenado
Da inveja mordaz, ímpia e grosseira.

Amei os meus, e deles fui amada,
Viajei, e corri terras estranhas,
Cantei heróis, e de outros fui cantada.
E depois de passar coisas tamanhas
Nada ambiciono mais, que descansada
Comer ao pé do lar quentes castanhas.

A GUERRA PENINSULAR, A LITERATURA E O PORTO

Exposição comissariada pelo Dr. José Valle de Figueiredo




quarta-feira, 23 de setembro de 2009

29 de Setembro de 2009 - Evocação dos 260 anos do nascimento da poetisa Viscondessa de Balsemão

Reiniciamos a nossa actividade no dia 29 de Setembro, às 18h, no Palacete dos Viscondes de Balsemão, no Porto (Praça Carlos Alberto, 71), com a Evocação dos 260 anos do nascimento da poetisa Viscondessa de Balsemão, uma parceria da Casa da Beira Alta com os Serviços Culturais da Câmara Municipal do Porto e da Câmara Municipal de Moimenta da Beira .
A exposição sobre " A Guerra Peninsular, a Literatura e o Porto", comissariada pelo Dr. José Valle de Figueiredo, conta com a colaboração da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e do Instituto Fontes Pereira de Melo.

PROGRAMA:
  • Historial do Palacete dos Viscondes de Balsemão pelo Dr. Luis Cabral
  • Conferência sobre a Obra Poética da Viscondessa de Balsemão proferida pela Profª Drª Maria Luisa Malato Borralho, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
  • Declamação de alguns poemas pelo Grupo de Coros Dramáticos dos Antigos Estudantes de Coimbra
  • Abertura da Exposição " A Guerra Peninsular, a Literatura e o Porto"

Nota: O mesmo programa será apresentado em Moimenta da Beira e Leomil, no dia 31 de Outubro. Esta realização, tal como as restantes actividades agendadas para o último trimestre de 2009, serão divulgadas, pormenorizadamente, em Outubro.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Férias...

Muitas pessoas têm perguntando qual a razão de o Blog estar parado desde Julho!
Pois é! Como nesta época, anda toda a gente em movimento, visitando os seus cantinhos, as suas terras, indo a banhos e a termas, sem tempo para visitar a Casa da Beira Alta, democraticamente... encerrámos durante o mês de Agosto!
Mas já regressámos!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Escritores...Revelação!

OS LOBOS

Da primeira vez, estava eu na Maria Soares, sabem bem onde é, por cima da Quinta do Pinheiro, pegada àquela mata velha de pinheiros, cheia de alçapões e gargantas, dos tempos do volfrâmio. Era voz comum que os lobos moravam naquelas minas medonhas onde passávamos a correr, com medo das feras. Naquele dia, o meu trabalho era esgalhar uns carvalhos grandes que ensombravam o olival. Subi e preparava-me para cortar os ramos, de cima para baixo, quando ouvi uma ladração de muitos cães que vinham caminhando na direcção dos carvalhos onde estava empoleirado. Do alto, pude então ver um lobo corpulento que caminhava devagar, seguido, a distancia respeitável por uma matilha de cães que ladravam , estacavam e recuavam, cada vez que o lobo parava ou olhava para trás. Passaram mesmo por baixo de mim , mas não falei, aterrado , nos meus verdes anos, com a memória cheia de histórias de lobos famintos que comiam as pessoas todas deixando apenas os pés dentro dos sapatos. Só passados muitos minutos , quando o silêncio voltou, me atrevi a descer da árvore, fugindo para casa a sete pés.
Da segunda vez, já eu era rapaz espigadote, vaidoso proprietário de uma motocicleta que me tinham ofertado pelos meus anos. Tinha na altura o hábito de passar os domingos circulando pela Serra na motorizada e, por vezes ia à Pousada de S. Lourenço a ler as revistas estrangeiras, a tomar café e conviver com os/as turistas. Numa dessa tardes de Inverno , a conversa estava animada e, quando dei conta, era noite fechada, chovia e estava um nevoeiro medonho. Que fazer? Regressar a Folgosinho pela volta de Gouveia, pelo macadame? Ou seguir pela estrada florestal de terra por onde tinha vindo ?
Acabei por optar pela nave Santinha, pela estrada esburacada pela chuva. A motorizada lá seguia devagar , pois o farol dava pouca luz e só em primeira e segunda conseguia controlar a máquina e ver bem o caminho. Ao passar o Casão passou-me pela frente um vulto a correr, que vi de relance. Parei, virei o farol para a esquerda e ali estava um grande lobo, já sentado a olhar fito para mim , sem medo da luz, ao contrário do que diziam os velhotes com muita experiência na matéria.
Não havia ali árvore ou penhasco onde me pudesse pôr a salvo e o Casão tinha e tem sempre as portas e portões escancarados. Engatei a primeira e lá continuei a caminho de casa, sempre olhando para os lados e para trás, sempre á espera do salto que o lobo iria formar ao meu pescoço. Vi naqueles minutos a proximidade do fim da minha vida. Ainda por cima , não podia acelerar porque isso me atiraria para o despenhadeiro ou para uma vala onde o lobo se pudesse regalar com o meu cadáver. Já via os meus pés dentro dos sapatos a serem encontrados dias depois como sinal claro do meu triste fim. Pedi mesmo perdão pelos meus pecados (não eram muitos, na altura), já que não havia qualquer hipótese de confissão auricular. Cheguei a Folgosinho sem cair, sem sujar a roupa e depois de guardar a motocicleta fui então para a lareira , esquecendo o capacete na cabeça. Foi meu pai que mo tirou e, ao ver o cabelo espetado compreendi então, ao espelho, o que significava o cabelo arrepiado. Até hoje, não voltei a ver os nossos amigos; mas tenho saudades deles. Aqueles dois encontros são dois tesouros da minha infância que gostaria de ver repetidos, que mais não fosse, para comprovar se aquele medo e temor eram justificados ou se eram apenas o resultado da mente apavorada pelas histórias que me contava a minha avó ao serão à lareira , nas longas noites de Inverno.

Américo Tenreiro

quarta-feira, 1 de julho de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Casa da Beira Alta visita Resende

"Resende, terra de Dom Egas Moniz e Eça de Queirós"

O dia 20 de Junho de 2009 amanheceu calmo e quente!
Cerca de 60 pessoas, beiroas de nascimento ou de alma e coração, partiram do Porto às 8h para uma visita cultural a Resende, “ varanda sobre o Douro”, e “capital da cereja”, como lhe chamam.


Aí chegados, foram recebidos no Museu Municipal, pela Senhora Vereadora da Cultura, prof.ª Dulce Pereira que, em nome do Senhor Presidente da Câmara saudou o grupo e falou da riqueza natural e paisagística, da gastronomia, das actividades e potencialidades do concelho, distribuindo, pelos presentes, documentação turística.

Aproveitou ainda para agradecer a escolha deste concelho e ofereceu à Casa da Beira Alta uma cerâmica da autoria de uma artesã local Lurdes Gomes e o livro “ Douro, Memórias das Caldas de Aregos ” da autoria de Paulo Sequeira e Pedro Ferreira, com Prefácio de António Barreto.
A Presidente da Casa da Beira Alta, Dr.ª Fernanda Braga da Cruz agradeceu a disponibilidade dispensada pela autarquia e ofereceu duas litografias: uma do edifício da sede da Casa da Beira Alta, na Rua de Santa Catarina, no Porto e outra, de uma casa beirã, ambas feitas a partir de dois originais pertencentes a esta Associação e de pintores beirões.

Após esta simpática e agradável sessão de boas vindas, coube à técnica do Museu, Dr.ª Carla Vicente, o nosso acompanhamento e visita guiada.


O Museu Municipal está instalado num edifício datado de 1931, utilizado até 1974 como Cadeia, época em que se extinguiram as cadeias concelhias. Serviu de armazém da Cooperativa Agrícola e de Oficinas da Câmara até 2003. Nesse ano, iniciou-se a sua recuperação e ampliação para Museu, inaugurado em 2006, transformando-se assim, num lugar de acolhimento de memórias e histórias. A Dr.ª Carla Vicente conduziu-nos através das diferentes salas, explicando, pormenorizada e pacientemente, a história local e regional do concelho de Resende.


O espólio abrange Arqueologia e Etnografia do concelho, da Pré-história aos nossos dias: achados arqueológicos, objectos da religiosidade popular, peças de barro negro do último oleiro, mestre Joaquim Alvelos, de Fazamões, ricas faianças dos sécs. XVIII/XX, trajes e adereços tradicionais do séc. XIX, artefactos do ciclo do pão, do linho, da casa rural e da pesca tradicional.

A meio da visita, e, para retemperar as forças, foram-nos oferecidas as afamadas Cavacas de Resende, seu ex-libris culinário, café, chá e água.


Continuando a visita, deparámos com uma sala dedicada ao reputado Eng. Edgar Cardoso, cuja obra realizada, no Porto, faz parte do nosso quotidiano.


Após o almoço que decorreu no Restaurante “ Douro à Vista”, o calor apertava!

Mas tínhamos de conhecer e visitar o Convento e Igreja de Santa Maria de Cárquere, a 6 Km de Resende, onde, segundo a lenda, Egas Moniz depositou a esperança de ver o pequeno Afonso Henriques curado da doença que lhe tolhia o andar desde a nascença.
Aliás, as crónicas dos sécs. XVI e XVII relacionam a sua construção com o chamado “ milagre de Cárquere”...

Onde há história, também há lendas!

E, segundo a lenda, D. Afonso Henriques terá nascido paralítico. O seu aio, D. Egas Moniz, teve um sonho em que lhe apareceu a Virgem e lhe terá dito para ir a Cárquere e cavar em determinado local onde encontraria a sua imagem e os restos do seu santuário. Nesse local, deveriam colocar, sobre o altar, D. Afonso Henriques e passar uma noite em vigília. No dia seguinte Afonso estava curado.

Aí chegados, a Igreja surpreendeu-nos!

Nela são evidentes diferentes estilos e épocas de construção. Se a Torre medieval, ameada, na «sua rústica imponência de atalaia serrana» é tipicamente românica, já a capela- mor, estreita e baixa, é gótica e o corpo da Igreja, de uma só nave, é de estilo manuelino.


Curiosamente, a parte mais antiga de todo este conjunto monumental, situa-se no exterior, junto à sacristia. Aí, ligada à capela-mor por um arco em ogiva, existe uma capela mortuária dos Condes de Resende com quatro túmulos de granito, rudemente talhado, cujas tampas apresentam o brasão
dos Resende.


Na igreja existem duas valiosas imagens, muito antigas. Uma chamada «Senhora Branca», (gótica, em pedra de ançã pintada do séc. XIV/XV – Escola de Coimbra). A outra representa a Senhora de Cárquere, com o menino sentado no joelho esquerdo, que, juntamente com a mãe, abençoa com a mão direita e segura o livro na mão esquerda. É uma miniatura em marfim (29 mm de altura e 14 mm base), devidamente guardada, já que, pelas formas e expressões parece ser visigótica. Existem ainda mais duas imagens com o nome de Senhora de Cárquere, imitando a miniatura: uma em madeira policromada do séc. XVI (no trono do altar-mor) e outra, mais recente, na sacristia, usada nas procissões.


Em seguida o grupo rumou à aldeia de Ramires para se acercar das imediações da Torre que Eça de Queirós imortalizou na sua obra “ A Ilustre Casa de Ramires” e que Videirinha, um dos personagens do romance, canta no “ Fado dos Ramires”:

“Quem te v’rá sem que estremeça,
Torre de Santa Ireneia,
Assim tão negra e calada,
Por noites de Lua cheia…
Ai! Assim calada, tão negra,
Torre de Santa Ireneia!”

O calor continuava a apertar e era preciso percorrer uma distância considerável para lá chegar! Poucos desistiram! Afinal, sempre era possível uma aproximação ao cenário que inspirara o nosso ilustre escritor português, Eça de Queirós! E a possibilidade de um contacto com essa realidade, fez-nos vencer a moleza que o calor da tarde teimava em nos impor!

A meio do percurso… uma fonte de água pura e fresca, deu-nos novo ânimo!
Por entre as árvores da Quinta, surgiu, imponente, a Torre da Lagariça, um robusto torreão militar de planta quadrada, posteriormente adaptada a habitação senhorial, sem que a torre fosse alterada.
“A torre, antiquíssima, quadrada e negra, sobre os limoeiros do pomar que em redor cresceram, com uma pouca de hera num cunhal rachado, as fundas frestas gradeadas de ferro, as ameias e a miradoura bem cortadas no azul de Junho, robusta sobrevivência do Paço acastelado da falada Honra de Santa Ireneia Solar dos Mendes Ramires desde os meados do século X” in A Ilustre Casa de Ramires.
A torre e o solar formam um conjunto esteticamente harmonioso, rodeado de paisagem deslumbrante e repousante. Tal envolvimento levou os presentes a divagar e a sonhar!
Quantos projectos! De volta a Resende, ainda foi possível passar pela parte mais actual do concelho, a moderna Fluvina de Aregos.
No final do dia, com cavacas e cerejas, regressámos ao Porto um pouco cansados, mas enriquecidos culturalmente.
Durante a viagem, fizeram-se revisões do que tinha sido visto, leram-se poemas e cantou-se!